|   Carvalho confirma que está em São Paulo para contratar    |   Craque do Brasileirão: Giuliano perde eleição de revelação   |   Craque do Brasileirão: Guiñazu leva o ouro e Sandro o bronze   |   Craque do Brasileirão: Kléber recebe o troféu de bronze   |   Galeria de fotos: Confira as imagens de Inter 4 x 1 Santo André   |   Blog do Vidarte: Luxemburgo custaria R$ 600 mil   |   SC Cup Sub-16: Inter ganha mais uma e se isola na liderança    |   Taekwondo: Atletas do Inter na Seleção Brasileira    |   Copa do Centenário: Definidos os semifinalistas masters   |   SC Cup Sub-16: Inter vence outra e lidera Grupo A    |     |

Final Sports


Um bando de bocós.
Por Raphael Castro
07/12/2009-18:11:36

O texto vai ser longo, mas paciência: quando a gente acha que do chão não passa, eis que no fundo do poço tem um alçapão. É que tenho um defeitinho meio chato: mesmo me considerando um sujeito até agradável de vez em quando, detesto que tentem me vender cupim por picanha...

Primeiro – tremas nos “us”

Para tirar a discussão do terreno do imprestável, partamos das seguintes premissas, imutáveis e irrevogáveis:

a) o Internacional é que foi incompetente para ganhar o tetra este ano: a verdade nua e crua é que, pelo que fez neste Brasileiro, o Inter simplesmente não mereceu ser campeão. Fosse a situação diferente (com a devida pontuação contra alguns mortos que nos ferraram), toda essa discussão cerebrina sobre quem-ajuda-quem, entrega-não entrega e outras enormidades nem teria acontecido. A tabela já estava acertada desde sempre, e era totalmente impossível prever que justo na última rodada inimigos fidagais estariam “uns nas mãos dos outros”. Achar agora que caberia mencionar ou cogitar da “ajuda” de quem quer que fosse a fulano ou beltrano é uma rematada cretinice;

b) ainda tínhamos um compromisso este ano: do jeito que falavam, parecia até que já era nosso, que estava tudo certo, e que só faltaria a “cooperação” de uns e outros por aí para que o tetra se materializasse, vermelho, incandescente, coloradíssimo. Lembremos que o Inter ainda enfrentaria um adversário que jogaria todas as fichas na sua permanência na Série A, e que este mesmo adversário já tinha engrossado contra o Cruzeiro. Portanto, nesse contexto, não tinha qualquer cabimento falar de ajuda, resultado paralelo, entreguismos e balelas afins: mesmo que outros quisessem pelo menos honrar os calções que vestiam, o Inter ainda assim teria que fazer a sua própria parte. Donde se conclui, por óbvio, que, antes de mais nada, um título colorado dependia mesmo é do...próprio Inter;

c) não se pode entregar o que nunca se teve: outra pérola inacreditável que provavelmente não seria objeto de publicação em ambientes sérios é a suposição de que outros clubes estariam em posição de “permitir” que o Inter fosse campeão este ano – o que ganha especial graça em função de certos retrospectos nada recomendáveis fora de casa. A pretensão contida nesta hipótese já foi magistral e devidamente analisada aqui pelo Sr. Müller, de forma que a ela voltaremos apenas na medida do necessário.

Segundo – (i)moralidade

Já devidamente esclarecida a situação, caberia ainda falar sobre a candura da análise jornalística desta última rodada de 2009. Não bastasse a mão amarela generalizada nessas opiniões, estes “arautos da rivalidade” justificaram o que os jogadores aflitos deveriam fazer às custas do...Inter. Não sei o que pensam os(as) diletos(as) leitores(as), mas comparar a situação de agora com o que ocorreu com o São Paulo ano passado só pode ser má-fé ou plena burrice. Primeiro, porque em 2008 o Inter jogou com sete (!!) titulares naquela partida; em segundo lugar, porque havia para nós um interesse esportivo maior em jogo (justamente a Sul-Americana, que, olhem só a coincidência, acabamos...ganhando!). Pretender a esta altura que nossos amigos aflitos entregassem - ou mesmo pudessem entregar - o jogo com o Flamengo, sem maiores conseqüências, e sem que ninguém pudesse criticá-los por isso sob pena de “trair a rivalidade gaúcha”, é o cúmulo da vigarice: fica até parecendo que a intenção era só ferrar o Inter mesmo, com uma justificativa absolutamente revanchista, e assumindo graciosamente que eles poderiam realmente ganhar ou empatar se quisessem. Que fizessem então o que fosse, só que assumindo a ronca da respectiva decisão; faturar com o do Inter é que não dava...

Segundo II – a missão 

Engraçado é que esse “líricos do Gre-Nal” justificam a preservação da nossa “imaculada tradição futebolística” apenas até o ano passado, convenientemente esquecendo a vergonha pornográfica que se deu em 96, por exemplo (jogo com o Goiás, pois é...). Da mesma forma, nunca vi ninguém dizer que, quando se utilizava o time reserva em Gauchão para jogar uma Libertadores, se tratava na verdade de um deliverizinho amigo para ralar um adversário. Por que raios e diabos então o Inter usar quatro reservas com o São Paulo em 2008 poderia ser comparável, ainda que remotamente, a uma abjeta entregada proposital, em nome de manter, sei lá, “cem anos de rivalidade”? (a propósito, e sete reservas - e juniores -, então, o que seria?) Pelo jeito, aqui o mesmo pau que bate em Chico bate em Francisco – e também em Paulo, José, João, Mateus, Lucas...; só mais um último exemplo: em 2005 foi um JUIZ que tentou manipular os resultados dos jogos, houve decisão de magistrado incompetente (no sentido coloquial e também jurídico), anulação de vários jogos e deu no que deu – inclusive, nem houve processo contra o árbitro larápio, mas o prejuízo (sobretudo para o Inter) foi evidente. E se agora ficasse “provado” que iam fazer corpo mole só para prejudicar o arquirrival? Valeria anulação do campeonato...? Ridículo, sinceramente...

Segundo III – a trilogia

Mas que bom que foram dignos, não é mesmo? Que bom que aquele heroico punhado de guris tricoluchos “emudeceu” e “apavorou” o Maracanã (leituras labiais à parte). Bem, o fato é que, se você realmente acreditou que o resultado final seria diferente do que efetivamente foi, há uma grande chance de o seu Natal ser muito triste esse ano (o que se explicaria pela fé irracional em Papai Noel - ou no retrospecto portoalegrensista fora de casa, meio que dá no mesmo); se tinha gente que chegou até a levar listras para o Beira-Rio induzida pela crônica vigaristoide que advogou a pretensa gratidão que o Inter deveria ter por um pressuposto mínimo BÁSICO - que é justamente a dignidade ao jogar uma rodada decisiva de campeonato nacional -, então não posso fazer nada por tais pobres almas. É provável que estas mesmas pessoas também tenham se sentido aliviadas de ler na segunda-feira que “não houve armação alguma” no RJ e que a derrota, em verdade, foi “vendida muito cara” ao Flamengo – afinal, foi até de virada, né, gente, poxa vida...(obs: obviamente, tudo isso malgrado o discurso e a postura pouquíssimo inteligentes da diretoria aflita na semana passada, e os diálogos com a mão à frente da boca entre jogadores adversários no Maracanã...).

Epilogando

Pra terminar: o título ficou em boas mãos, que fique bem entendido; não contesto o (esperadíssimo) resultado em si mesmo, mas apenas a análise que foi feita antes e depois da rodada: não me encontro entre quem tenha torcido pelos aflitos só para ser tetra. Meu coloradismo, feliz ou infelizmente, vai muito além disso; o dia em que eu tiver que torcer por eles por qualquer motivo, eu deixo de acompanhar futebol; quando eu tiver que agradecer a eles pelo que quer que seja, simplesmente não merecerei mais ser chamado de colorado. De modo que me sinto MUITO confortável com um vice-campeonato nessas circunstâncias. Agora, só não me venha a turma da mão amarela e dos afoitinhos, como se fôssemos um bando de bocós, com essa cascatologia do deixa-disso para preservar a nossa “centenária rivalidade pampeira” e para declarar incontinenti que, entre mortos e secadores, “salvou-se o futebol gaúcho” (como diria o meu indiscreto, sexólogo, sincero e pudico, avô, S.Assis P.Ererê, “...falando assim, com cara de quem acabou de barranquear a cunhada...”).

Tópicas: coisa linda

“Entrega, entrega...!”, diziam os filisteus. Desculpem, mas foi sensacional...

Tópicas 2: aviso

Caríssimos integrantes da direção: teremos Libertadores no ano que vem, de forma que pedimos encarecidamente que não façam as mesmas bobagens dos três anos anteriores na formação e na condução do time. Por favor, não joguem pela janela mais esta oportunidade. Contamos com vocês, hein...

Bem, caros leitores, por enquanto é só isso – e ponto final.

Fui (e não a pé).



27 COMENTÁRIOS   -   RECOMENDE



Anteriores...

Um bando de bocós.
07/12/2009 - Por Raphael Castro

E que tudo mais vá para o inferno!
03/12/2009 - Por Marcelo Benvenutti

O Grêmio não vai entregar.
01/12/2009 - Por Andreas Muller

Culpem o Gum!
30/11/2009 - Por Thiago Marimon

Telemarketing.
26/11/2009 - Por Marcelo Benvenutti

O Inter sendo o Inter.
24/11/2009 - Por Daniel Ricci Araújo

Fica, Celso Roth!
23/11/2009 - Por Thiago Marimon

No creo en las brujas, pero...
20/11/2009 - Por Marcelo Benvenutti

Que não falte coragem no Mineirão.
16/11/2009 - Por Daniel Ricci Araújo

Liberdade antes que tardia.
12/11/2009 - Por Marcelo Benvenutti

Onde surge o amanhã...?
11/11/2009 - Por Raphael Castro

O que realmente mudou?
03/11/2009 - Por Daniel Ricci Araújo

| 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | 11 | 12 | 13 | 14 | 15 | 16 | 17 | 18 | 19 | 20 | 21 | 22 | 23 | 24 | 25 | 26 | 27 | 28 | 29 | 30 | 31 | 32 | 33 | 34 | 35 | 36 | 37 | 38 | 39 | 40 | 41 | 42 | 43 | 44 | 45 | 46 | 47 | 48 | 49 | 50 | 51 | 52 | 53 | Próxima